sábado, 7 de julho de 2012

Documentos da fraude de 2008 embaraça MPLA



Lisboa - A discrepância encontrada em documentos da INDRA, a empresa espanhola contratada para a preparar a logística das eleições gerais em Angola, está a deixar o MPLA numa situação embaraçosa por trazer a público provas de como foram alterados os resultados das eleições legislativas realizadas em 2008, com ajuda de 16 milhões de boletins de votos que circularam fora do circuito da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Fonte: Club-k.net
Regime usou 16 milhões de votos fantasmas
Na Europa, onde o assunto foi destapado, as autoridades espanholas manifestam ver o assunto esclarecido, razão pela qual os parlamentares daquele país ibérico se preparam para investigar os actos da INDRA em Angola, no sentido de se apurar se a mesma é utilizada pelo regime angolano, ou se é parte do esquema das fraudes eleitorais que ocorrem em Angola.

O levantamento do assunto em meios políticos em Espanha é apoiado em documentos que revelam dados declarados pela  INDRA, no momento em que foi contratada para trabalhar na logística eleitoral em Angola neste periodo, mas que ao mesmo tempo diferem dos dados da Valley Soft, empresa conotada ao circulo presidencial angolano que contratou a firma espanhola.
A 22 de Abril de 2008, a “Valley Soft” declarou ter comprado da INDRA cerca de 10 milhões e 350 mil boletins de votos. Entretanto, o website desta empresa espanhola (www.indracompany.com) revela que produziu e vendeu para Angola, naquele ano, 26 milhões de boletins de voto e não o número acima citado. (Ver os anexos).
A revelação dos dados indica que as autoridades angolanas apesar de terem recebido 26 milhões de boletins, terão usado os outros 16 milhões boletins que não foram entregues a CNE para alterar os  resultados eleitorais em favor do MPLA, razão pela qual os deputados espanhóis tencionam saber até que ponto a INDRA terá sido conivente com as autoridades angolanas.

Entre os países europeus que tem “boas relações” com Angola, a Espanha é a nação que mais dá sinais pela defesa de transparência eleitoral no resto do mundo. No ano passado, um estudo desenvolvido por acadêmicos espanhóis da Universidade "Castilla La Mancha" revelou que é impossível realizar eleições presidências ou legislativas em que o vencedor alcance mais de 80% dos votos.
O estudo defende que a não aquisição desta percentagem de votos deve-se ao facto de não haver processos eleitores perfeitos. O segundo cenário, segundo o estudo (de haver eleições com percentagens astronômicas) é verificado apenas em países de regimes ditatórias e estas não são eleições perfeitas.

Suspeitas levantadas em Espanha dá  razão ao “Livro Branco” sobre as Eleições de 2008
As discrepâncias verificadas nos dados declarados pela Valley Soft e a espanhola INDRA, dão razão as constatações do conhecido “Livro Branco” sobre as Eleições Legislativas de 2008, publicado pelo Instituto de Desenvolvimento e Democracia, e também no Relatório da Auditoria às Eleições Legislativas de 2008, que chegava a conclusão que  “a CNE encomendou, comprou e pagou 10, 350, 000 boletins de voto”.  Porém, as investigações feitas revelaram que foram utilizados mais boletins do que aqueles comprados pela CNE.


O relatórios publicado na altura dizia que “os boletins de voto foram manipulados antes da votação; houve boletins de voto não controlados pelo sistema da CNE que, apesar de contabilizados como “não utilizados” terão sido, de facto, utilizados; assim como poderá ter havido boletins que foram utilizados, mas não foram contados”, lê- se no relatório.
As analises indicam que o web site da INDRA e a factura n.º 23/08 da Valeysoft vêm responder a todas as dúvidas que o Relatório de Auditoria às Eleições de 2008 suscitou, naquela altura, nas páginas 35 a 43, sobre excessos de boletins de voto e que o Club-k reproduz.

Há indicações que foram estes boletins de voto fantasmas em excesso que sustentaram as actas que foram escrutinadas em 2008. O Relatório que vimos citando refere que “o centro de escrutínio nacional terá recebido actas relativas a 50.195 mesas, enquanto que a votação ocorreu em apenas 37.995 mesas, pelo que o escrutínio foi efectuado com base em actas de mesas de voto fantasmas produzidas por agentes secretos e sem fiscalização, numa operação que terá sido controlada pelos serviços da Casa Militar da Presidência da República”.

O relatório referiu ainda que lá onde houve altos excessos de boletins entregues, registou-se também uma percentagem elevada de votos nas urnas (votantes). Em todos esses casos, a maioria do  partido no poder foi igual ou superior a 90%, excepto nas províncias da Lunda Sul, Huambo e Cabinda.
De lembrar que este ano as autoridades angolanas voltaram a contratar a INDRA para fabricar os boletins de voto para as eleições de 31 de Agosto. Desta vez, o regime infiltrou seus especialistas na própria INDRA e já não precisará utilizar a Valleysoft. Pelo menos dois generais foram “desmobilizados” e passaram à reserva, por ordens de JES, para integrar a super estrutura da INDRA da logística eleitoral ao passo que agentes do SINSE serão colocados nas assembleias de votos, como “supervisores logísticos”, recrutados pela CNE.


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