APELO AO PR JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS. O banco millennium Angola na rua rei Katyavala roubou-nos o terreno e nele montou um gigante gerador que dia e noite nos mata com fumo mortal. Não se justifica este crime horrível porque há energia eléctrica. Os moradores já se queixaram mas em vão. Já há anos que vivemos de janelas e portas fechadas. Apelamos para que V. Ex.ª ordene o fim imediato deste crime e que os culpados sejam enviados para a justiça e que os lesados recebam as devidas indemnizações.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Os Guardiões do Segredo de Estado ou da MÁFIA? - Nguituka Salomão


Luanda - O segredo é a alma do negócio. – Provérbio popular
Fonte: Club-k.net
ntrodução

“Se eu revelar Segredos de Estado, não sei se o País acorda amanhã” tal bombástica e abismal afirmação é atribuída ao antigo comandante da polícia nacional da província de Luanda, Quim Ribeiro (QR). As fontes de tal noticia esqueceram-se voluntaria ou involuntariamente de mencionar o local e as circunstancias em que tal assombrosa afirmação foi proferida, se o fizera durante o contacto regular entre o réu/QR e os seus advogados ou se numa audiência de julgamento, tal é importante para a ‘formatação’ dos comentários a volta do mesmo.
O Prenuncio do Armagedon Politico

Que segredos de Estado QR esta se referindo? O segredo no que refere a localização de baterias de mísseis e regimentos de forças especiais espalhados pelo País? O sistema de defesa anti-aéreo de Angola? As últimas decisões do ‘ultra (?!) secreto staff privativo de JES? A localização do Bunker de JES? A localização de uma hipotética rede de túneis sob o Futungo ou o improvável plano de ataque das FAA a um País vizinho?

Em suma, QR esta realmente na posse de segredos de estado que perigam a Segurança ou Defesa interna e externa de Angola? Ora qualquer uma das hipóteses acima mencionada “pode até ser verdade” mas será que o proferimento ou a publicação de qualquer uma delas faria com que o “país não acordasse no dia seguinte?” na minha opinião não é a divulgação deste ‘tipo’ de segredo que iria fazer desembocar o País para o ‘abismo’ pois este é precisamente o cenário ‘desenhado’ pela mente ‘bestial’ de QR, se meter a boca no trombone; ABISMO ou o Armagedon politico do País.

Então uma pertinente pergunta impõe-se que tipo de segredo de Estado se referiu QR? Ora, vamos analisar o contexto da referida afirmação, de acordo a imprensa; “Meu crime foi desmantelar a rede do narcotráfico”.

A MÀFIA EM ANGOLA – Antecedentes

Ninguém dúvida de que em Angola existe o crime organizado, (Máfia quer dizer essencialmente; Crime organizado) devidamente escalonado e ‘vibrantemente’ actuante em toda a extensão do território Angolano e com ramificações e contactos a Máfia internacional. O crime organizado em Angola teve o seu inicio ‘oficial’ pouco tempo antes da derrocada da chamada era do partido único (1984-1992) em 1992 já a Máfia estava seriamente enraizada na sociedade, e como já o mencionei num dos meus artigos, os serviços secretos, a chefia das ex-FAPLA e da polícia estiveram na vanguarda da organização da Máfia em Angola.

A acção da DISA e o TPR

Na década de 80, a DISA desferiu uma machadada ao então embrião da Máfia, com a ‘elaboração’ do famoso processo Kamanga, julgado em 1985 pelo então notável TPR (Tribunal Popular Revolucionário) que se celebrizou mundialmente ao julgar os famosos mercenários; Costas Gregório (Capitão Callan), Barcker, Meckenzie, Grillo, Mendoza e Arturo Ortega (Julho 1976) o referido julgamento foi o primeiro da historia da humanidade.

O então popularmente conhecido processo Kamanga ou processo105 (pois eram cerca de 105 réus levados as barras do tribunal), pessoas de todos os extractos sociais estavam envolvidos inclusive alguns então “intocáveis” e dirigentes do estado. Saliente-se que o número de pessoas detidas ou presas só foi ultrapassado pela saga do 27 de Maio, com a diferença de que estes nunca foram levados ao julgamento, foram na sua maior parte simplesmente executados.

Na época a Máfia estava se organizando para o controlo do tráfico de diamantes (narcotráfico ainda não estava na ‘moda’), o desenvolvimento do processo 105 (1983-1986) aproximou-se perigosamente de pessoas muito próximas de JES e da liderança de topo do MPLA, tal ‘aproximação’ foi malévola e ‘oportunamente’ interpretado como ‘tentativa de golpe de Estado’ (tal como aconteceu quase 30 anos depois com FGM o patrão do SIE), os promotores e instrutores de tal gigantesco processo, passaram inaceitavelmente de “predadores” a vítimas e as vitimas a ‘coitaditos inocentes’ e posteriormente soltos das cadeias.

Julião Mateus Paulo “Dino Matross” (DM) então ministro do MINSE, foi exonerado (tal exoneração e o que se seguiu ‘serviu’ para amansar o DM até os dias de hoje), uma grande parte dos efectivos do MINSE foram escorraçados dos seus gabinetes de trabalho, muitos deles substituíram os antes acusados nas prisões.

Simeão Kafuxi Procurador-geral e Adolfo João Pedro então honoravel presidente do TPR, extremamente desiludidos retiraram-se da cena politica um e outro ostracizados até a morte, por discordarem linearmente com a ‘reviravolta’ do processo que se tornara absolutamente politico.

A Máfia saiu vitoriosa, o MINSE e por consequência as várias designações que teve a sua ‘herdeira’ nunca mais se recompôs do golpe demolidor/vingador da Máfia, pelo que parece até a chegada de Sebastião Martins ao leme dos ‘serviços’. Porem a Máfia foi/é bem sucedida nas reviravoltas extraordinárias, sempre que acusava um golpe desferido pela ‘Lei ou pela concorrência’. O antigo e emblemático comandante da polícia nacional Adão da Silva, muito cedo apercebeu-se do facto e de quem estava por detrás ‘disso’ foi exonerado, por não se deixar vergar, (ou por ele próprio integrar a embrionária máfia e ‘varrido’ pela concorrência?).

Adão da Silva, integrou posteriormente a UNITA, após a paz de Bicesse, foi abatido as 19horas do dia 14 de Julho de 1995, por um membro da brigada de baixa visibilidade da polícia, no parque do Aeroporto 4 de Fevereiro.

General Ochoa e a rede do narcotráfico
Ao amanhecer de 13 de Julho de 1989, foram fuzilados em Cuba, as seguintes pessoas; O General de divisão Arnaldo Ochoa (o militar mais condecorado da historia Cubana contemporânea), o Coronel do MININT, António de La Guardia Font, especialista em operações encobertas ou especiais e chefe do estratégico departamento MC (moeda convertível) do MININT departamento encarregue de todo o tipo de ‘delinquência’ internacional em benefício da ‘revolucion’, desde o contrabando, criação de empresas fantasmas, lavagem de dinheiro, tudo que fosse possível para ‘furar’ o embargo. MC também era ‘chacoteado’ como “moeda capitalista” ou ainda “marijuana e cocaína”, e os oficiais Amado Padron e Jorge Trujillo.
Os indivíduos acima foram condenados pelo tribunal militar especial, no processo nr 1/1989, por terem traficado grandes quantidades de drogas. Dez outros indivíduos todos oficiais de carreira ‘apanharam’ pesadas penas de prisão.

O processo ou causa nr 2/1989, envolveu o poderoso ministro do interior, chefe da inteligência e da guarda pessoal de Fidel, o General José Abrantes (Pepe) Fernandez, cuja prisão arrolou a detenção e purga de mais de 1500 funcionários, membros do MININT. José Abrantes Fernandez foi assassinado na prisão em 21 de Janeiro de 1991 (por ‘portar’ demasiados segredo de estado).

A envergadura dos envolvidos acima indicam de certeza que o processo foi político e não de crime comum, indica também por outro lado que Fidel de Castro, estava por dentro da operação realizada pelos acusados. Os acusados tinham contacto regular com o então enérgico barão da droga do cartel de Medellin; Pablo Escobar, contactado pessoalmente pelo António (Tony) de La Guardia Font. Tal operação rendeu a Cuba, bilhões de Dolares Norte-Americanos, “para ajudar a revolução, e vingarem-se do Ianque o autor do severo bloqueio económico”.
Testemunhas afirmam que os indivíduos fuzilados, a certa altura passaram a contestar a liderança de Fidel, principalmente desde o fim da ‘campanha’ em Angola, e como Cuba já estava sendo acusado pela comunidade internacional, de traficante de droga, Fidel de Castro, com uma só cajadada matou dois coelhos, a saber livrou-se dos incómodos concorrentes e da acusação de país narcotraficante.

Ochoa (8A) e os líderes ‘internacionalistas’ Cubanos em Angola, estiveram envolvidos no tráfico de diamantes e de marfim, em benefício da revolução Cubana. Provavelmente foi durante a passagem destes, que Angola evoluiu para o narcotráfico.

Claro e lógico que Ochoa teve cúmplices entre os Angolanos, quem? Ora se ‘seguirmos’ a reportagem fotográfica da ‘passagem’ de Ochoa em Angola, localizaremos os cúmplices/integrantes de 8A Angola e obviamente os ‘formadores’ da rede de narcotráfico a “la Angolana”; dirigentes de topo do MPLA, Empresários poderosos, os novos-milionários, generais das FAA e do MININT Angolano.

Esta visto que não foi por mera caridade ou simples filantropia politica (em politica não há filantropia) que os dirigentes Angolanos ‘apressaram-se’ a socorrer Guiné-Bissau, a Colômbia de África. É que os interesses dos narcotraficantes Angolanos passam por aquele país irmão e vice-versa.

“O Crime de QR”

Ora QR é um dos padrinhos da Máfia Angolana, e obviamente não combateu a rede de narcotráfico no aeroporto 4 de Fevereiro e Porto de Luanda, por severo sentido de missão e ‘amor’ ao cumprimento da Lei, QR assim como todo o Mafioso tem e sente um total desprezo a Lei, a “chacina do largo da Frescura” assim o demonstra, alem do ‘caso’ que é actualmente arguido.

QR eliminou sim a concorrência. Até porque a rede de narcotráfico em Luanda, não se resume apenas nos sectores indicados por QR, é só vermos a quantidade de poderosas lanchas rápidas (instrumento preferido dos narcotraficantes) que ‘parqueia’ nas praias de Luanda, para termos uma ideia de ‘outras portas’ de entrada da droga em Luanda. Não é à-toa que Angola aproxima-se da Argentina. A raia miúda ou os iniciadores no ‘ramo/business’ são os que ainda utilizam as ‘entradas’ arcaicas e antiquadas mencionadas por QR. Por outro lado (para complemento) sabe-se que Benguela e a costa marítima do sul de Angola é um dos ‘teatros’ preferidos do narcotráfico internacional a ‘Colombiana’.

A concorrência acima mencionada revidou implacável, isto é outros sectores da Máfia reagiram ao ‘pretenso’ desmantelamento da rede de narcotráfico, com que resultado?! QR e equipa naufragaram assim como antes acontecera com os ‘autores’ do famoso processo 105 e mais tarde com FGM e a Quina da Silva a ex-patroa dos SME.

QR com o bombástico proferimento mencionado no génesis deste, pôs o dedo na ferida e disse implicitamente que; 1. - Os dirigentes deste País, tal como disse Bob Geldorf, são criminosos, e estão inclusos em tudo que é actividade criminosa. 2. - Que existe sim e sempre existiu os chamados esquadrões da morte. 3. - Que a Máfia é parte integrante do sistema politico Angolano.

“O MPLA-JES não iria acordar”

Ora neste caso que (parte do) País não irá acordar no dia seguinte se QR “meter a boca no trombone”? O MPLA-JES e os seus integrantes. Pois que a maioria esmagadora do povo Angolano, agradeceria tal contribuição se QR se aprestasse á denuncia. Porem não devemos esperar de um Mafioso tal gesto a favor da justiça.

O que aconteceria por exemplo se um oficial comissário da Policia da Republica Portuguesa acusado de algum crime ou a contas com a justiça, proferisse tal bombástica afirmação? Na mesmíssima hora um batalhão de jornalistas e todas as forças vivas da Nação e não só, se ergueriam como ‘um só’ para persuadir/EXIGIR o autor da ameaça, a divulgação sem quaisquer delongas e tabus de tais segredos, para o bem da Nação, da SEGURANÇA NACIONAL e sobretudo do bem-estar público.

‘QR o Bom e FIEL Mafioso’

O General Arnaldo Ochoa, após sentenciado declarou teatralmente, provavelmente esperando ‘tocar’ o coração do chefe num derradeiro esforço para obter o perdão; “Les prometo a todos, que mi ultimo pensamiento será para Fidel”.

QR praticou a mesma peça, uma vez mais elaborar uma ‘jogada’ a do patriota consequente, que prefere “sacrificar-se” em nome da Pátria (como o fez FGM e pares), “não divulgando segredos de estado” – que bazófia, quando não passa de um mero meliante, criminoso e corrupto. Este é o homem que a Máfia propôs certa vez para substituir Ambrósio de Lemos, como comandante geral da Policia.

Quem QR estará a defender, com a não divulgação dos “seus segredos” de pacotilha? O Estado? A honra da Nação? A honra do povo Angolano? Claro que não e ele próprio o disse; “não vou divulgar segredos de estado do estado que me PAGA!” está tudo claro de outro modo não pode ser!

Tais segredos (os aludidos pelo QR) não são segredos de Estado, mas sim da Máfia, segredos dos assassínios de cidadãos inocentes incluindo de políticos da oposição, do narcotráfico, branqueamento de capitais, segredos dos gigantescos e descarados roubos, da corrupção na grossa, que atira o País e a esmagadora maioria dos autóctones para o abismo da miséria o antecipado Armagedon “que já estamos com ele”. Denunciar trambiqueiros, ladrões, corruptos e qualquer outro criminoso não é divulgar segredos de Estado, e tal divulgação não atira o País para o Armagedon politico.

O exemplo mais recente vem da Eslováquia os serviços secretos tornaram publico um caso de corrupção o “caso gorila”, protagonizado pelos governantes e alguns membros da classe empresaria do País, como acordou Eslováquia no dia seguinte? A Eslováquia foi atirada para o abismo? Claro que não, mas o partido governante naquele País foi sumariamente derrotado nas legislativas culminadas no dia 10 de Março do corrente, Robert Fico líder do PSD ganhou as eleições com maioria esmagadora, porque? Os serviços secretos da Eslováquia sabem definir e dar o tratamento devido ao “segredo de Estado”.

“Quem despreza ao seu próprio próximo esta pecando, mas feliz é aquele que mostra favor aos atribulados”. - Provérbios 14:21
Nguituka Salomão

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