Luanda, 13 de Abril 2014. A câmara de gás continua! Há 9 dias e noites que o banco millennium nos gaseia. SOS UNICEF, CRIANÇAS NA MORTE! O monstro gerador do banco millennium, na rua rei Katyavala, mata com o fumo e o barulho. Dormir não! Pobres crianças, e idosos, que precocemente morrerão cancerosos, vítimas do neocolonialismo. Este petróleo por onde passa deixa um cortejo de cadáveres. Quem promove tumultos, o descalabro social e manifestações de rua? Quem é?! E o terreno foi espoliado.

domingo, 13 de Abril de 2014

Luanda. Clero agachado reza aos pés do ditador - Raul Diniz


Malange - É triste ver as evidências atestarem o adestramento da igreja cristã, torna-se doloroso aceitar como verdadeira a realidade e presenciar o agachamento dos profetas que um dia serviram a Deus com amor e dedicação trabalhando para os homens serem reduzidos a zero pelo deus dinheiro.

Fonte: Club-k.net

O VERGONHOSO STATUS IMPOSTO POR JES AO CLERO
Eles foram transformados em aficionados escravos aficionados do deus mamom, desobedecendo ao que Jesus determinará em (Lucas 16:13). Esse grupo de pastores, reverendos, padres e bispos promíscuos, negaram a verdade do evangelho e dobraram-se em adoração constante ao deus ínfimo do dinheiro transformando-se em obstinados serventes, e hoje são de facto prestimosos comissionados da politica secular imposta pelo ditador JES no interior das igrejas cristãs.

Não podemos chamar a igreja dos nossos dias de igreja cristã, pois ela não serve mais os interesses de Deus na terra, ela transformou-se numa ONG prestativa de serviço propagandístico adstrito a casa de segurança militar do energúmeno ditador JES.  A direção da igreja cristã angolana secularizou a igreja constituindo-a num restrito misterioso cartel de tráfico de influencia ao serviço do plenipotenciário servo da igreja de mamom para daí promover o paganismo junto dos fiéis do Cristo ressuscitado.

 Esses místicos sacerdotes submissos integralmente à vontade de Eduardo dos Santos, o mais fiel servo do satanismo, não só envergonham todos os cristãos como também escandalizam aqueles que poderiam vir a transformar suas vidas através da pregação do verdadeiro evangelho de Cristo Jesus.

A VANGUARDA DOS ADORADORES DE JES COMANDADA PELOS SACERDOTES APOLÔNIO GRACIANO E LUIS NGUIMBI
Hoje constatamos impávidos os chamados sacerdotes católicos e evangélicos endeusarem o tirano, venerando-o como se de um deus se tratasse. Esses apelativos plagiadores da fé cristã adoram e veneram o ditador como jamais adoraram o verdadeiro e único autor e consumador da fé cristã o Senhor da glória, o Cristo do Deus vivo! Esses vampiros nascíveis servos de satã disfarçados de padres, bispos, Pastores e vaidosos reverendos prestativos veículos da vontade do chefe da desgraça dos angolanos, transformaram-se eles mesmo em pegajosos mercadores da fé.

Os evangelistas foram transformados em marqueteiros, os pastores não querem mais trabalhar altruisticamente e defesa dos mais fracos, eles transformaram-se em inquisidores da verdade autentica do Cristo ressuscitado. O Senhor dos céus é minimizado e transformado em um misero do senhor deus morto, o senhor deles agora é o altivo e infrutífero chefe de fila da corrupção e do banditismo internacional na terra angolana! Esses facínoras vendilhões do templo, indelicados idolatras capitaneados pelo doutrinado idolatra padre Apolônio Graciano no norte e no sul de Angola comandado pelo sinistro engraxador enganador e mentiroso comerciante da fé Luís Nguimbi, desejam a todo custo inverter a verdade de Deus para levar o povo de Deus a reconhecer o ditador JES como maior e mais grandioso que o Deus criador, que reina e governa a vida em toda dimensão do universo!

FARRA FARISAICA DOS ADULADORES DO DITADOR JES 
Era só vê-los, todos os sacerdotes de JES o deus da bufunfa ser venerando e bajulado num culto demoníaco de adoração ao ditador fazedor de uma paz comandada pelo nosso dinheiro. Não estou aqui a destorcer a realidade ao afirmar que não houve nenhum culto a Deus nessa festa farisaica organizada pelos mais venenosos sacerdotes farisaicos, adoradores do messiânico deus Eduardo dos Santos. Na verdade JES é deus para todos os reverendos e padres que se deixaram comprar pelo dinheiro de todos nós e hoje prestam um indecoroso serviço a JES e ao seu regime.

A IGREJA DE JES E DOS FALSOS PROFETAS NÃO PASSAM DE ONGs!
Não tenhamos duvidas nenhumas que o púlpito da igreja contemporânea angolana foi transformado num recinto de palestras onde se profana a palavra do Deus vivo e verdadeiro, dizem-se nesse espaço sagrado enormíssimas blasfêmias. A igreja deixou de ser uma casa de oração e adoração a Deus, ela foi definitivamente transformada numa aberrante quitanda da fé. Aprendi a muito no caminho difícil que levaram a minha conversão, que igreja sem cristo não passa de uma mera ONG que presta serviço social.

Ninguém na atual igreja quer verdadeiramente servir de vaso utilitário do espirito Santo, essa condição não é rentável para os nossos sacerdotes. Esses falsos profetas estão assombrosamente munidos do espirito messiânico do anticristo, indolentemente desejam ardentemente transformar o Senhor Jesus Cristo no representante comercial dos negócios e da vontade expressa de JES La nos céus. Na verdade os impiedosos bajuladores do gatuno e assassino ditador JES agora afirmam que o céu é uma sucursal do regime terreno de Dos Santos, pode isso estar a acontecer!

Esses gafanhotos devoradores da mentira satânica têm a pretensão de enganar continuamente todo rebanho de Deus com a constância de profecias falsificadas onde insinuam que JES é um ungido de Deus, por isso pode sim (des) governar Angola e, por conseguinte, ele pode roubar o que quiser e até escravizar-nos ao seu bel prazer. Esses bispos, padres, pastores e reverendos lunáticos comportam-se com verdadeiros verdugos e como vagabundos mentirosos, que a todo custo querem que todos reconheçamos JES como enviado de Deus. Esses miseráveis querem ainda ter o poder de decidir quem e sobe para o céu e quem desce para o inferno, debalde.

A IGREJA ANGOLANA NA VISÃO DO INCRÉDULO CÔNEGO APOLINÁRIO FUNCIONA COMO O ANDAR DE CARANGUEJO, ELA FUNCIONA SEMPRE AO ARREPIO DA VERDADE BÍBLICA.

Fica muito difícil compartilhar qualquer que seja a experiência com os atuais profetas de São José Eduardo dos Santos, o indistinto Padre Apolônio. Esse prelado de princípios sombrios até consegue enraivecer o seu próprio mentor lúcifer com os disparates que diz! O cônego Apolônio não possui saberia alguma que o ajude a discernir as coisas espirituais das coisas terrenas, ele prego o reino da terra na terra, ele preocupa-se demais com as fabulas e com as falsas filosofias, o cônego Apolônio sabe que não é essa a vontade expressa de Deus, que ordenou que nos deleitássemos nas suas riquezas terrenas e não idolatrássemos homem algum como faz com elevada mestria o cônego Apolônio quando se refere ao seu maior padroeiro José Eduardo dos Santos!

SE PARA O CÔNEGO APOLINÁRIO GRACIANO SOMOS TODOS RETARDADOS EXCEPTO AQUELE QUE ESTÁ A TRINTA E QUATRO ANOS NO PODER MATANDO E MANDANDO ASSASSINAR OS ANGOLANOS INDISCRIMINADAMENTE PELAS TROPAS DO REGIMENTO DA SEGURANÇA PESSOAL DO PRESIDENTE!
Quantos dos muitos filhos e filhas do ditador foram assassinados em angola? Quantos dos filhos e familiares do presidente passam atualmente fome e/ou deram o seu contributo no conturbado conflito militar angolano para merecerem tantas mordomias ao ponto de todos os melhores negócios no país passassem para as mãos dos seus filhos e familiares, inclusive os negócios rentáveis que deveriam força da constituição atípica continuar sob a tutela do estado? Qual foi o grande feito realizado, para que o filho do ditador Filomeno dos Santos (Zenú) sem experiência alguma, e sequer ter pertencido alguma vez aos quadros da administração publica nacional, e muito menos ter alguma vez ter pertencido aos quadros do nosso partido, para merecer a indicação de seu próprio pai presidente nepotista para nomeá-lo no cargo de presidente do fundo soberano angolano?

SOBRE O TRAFICANTE DE ARMAS PIRRE FALCONE NOMEADO EMBAIXADOR EM PARIS, E A MAIS RECENTE NOMEAÇÃO PRESIDENCIAL DE UM PORTUGUÊS PARA UM CARGO EXECUTIVO NA BOLSA DE VALORES ANGOLANA, O PADRE APOLÔNIO TEM ALGUMA EXPLICAÇÃO FAVORÁVEL QUE DIGNIFIQUE A ATUAÇÃO DO SEU DILETO DEUS PESSOAL JES?
O padre Apolônio e o pastor Luís Nguimbi sabem e/ou dizer-nos de qual constituição foi tirada a redação que levou a nomeação do bandido traficante de armas, Pierre Falcone te para o cargo de embaixador de Angola na UNESCO após ter saído da cadeia com terríveis acusações em Paris? O padre Apolônio Graciano se pensasse com independência e se não tivesse o seu discurso arisca apenso à terminante vontade do tirano Eduardo dos Santos, a muito teria falado com o seu principal ídolo maior que o papa e a virgem Maria juntos, para que o seu adorado ditador de estimação afastasse o capelão da feitiçaria Bento Analfabeto Kangamba do aparelho do estado e do partido que a todos nós pertence!

Essa coqueluche preferida do ditador marido de sua sobrinha e diretora adjunta do seu gabinete presidencial tem cometido as mais terríveis atrocidades na nossa terra e fora dela. É verdadeira a informação que o Analfabeto Kangamba comete os mais irascíveis crimes internacionais, como branqueamento de capitais acusado em França, trafico internacional de carne humana e prostituição internacional acusado pelo ministério público brasileiro e procurado pela policia internacional (INTERPOL), mão é decoroso que um presidente que se digne ouvir o seu povo, continue a vivenciar oficialmente com uma pessoa da índole do Bento Analfabeto Kangamba que em abono da estrita verdade, não traz nenhuma mais valia para o engrandecimento do aparatoso aparelho do estado nem para a postura do atual MPLA.

O CANDIDATO AO PREMIO NOBEL DA PAZ DO CÔNEGO APOLÔNIO CONTINUA A NOMEAR ESTRANGEIROS EUROPEUS EM LUGARES NUCLEARES DA ECONOMIA ANGOLANA, MENOSPREZANDO A SABEDORIA NACIONAL DOS AUTÓCTONES DONOS DA TERRA SEQUESTRADA!

De onde o padre Apolônio foi buscar essa ideia do ditador ser um valido candidato ao premio Nobel da paz? Por acaso não viu uma vez mais o país a passar por uma flagrante vergonha onde novamente o tirano nomeou outro conterrâneo do marido da sua filha Tchizé dos Santos para um cargo executivo na bolsa de valores? Não acha que o lugar ora ocupado por esse estranho dos nossos costumes e valores socioculturais e econômicos e financeiros, deveria sim ser ocupado por um nobre angolano?

O que representa e vale para Angola e para os angolanos um presidente que não ouve nem quer escutar jamais o povo sobre sua administração nem sequer ausculta o povo nem atende a vontade da maioria que suplica pela sua saída do poleiro onde se encontra a trinta e quatro anos? O que se pode esperar de um presidente que não respeita a constituição que compra toda a imprensa portuguesa para promover a sua imagem no exterior sem se preocupar nunca com a imagem que os donos da terra têm dele?

QUE NOBEL QUAL QUÊ SENHOR APOLÔNIO, CRESÇA E APAREÇA QUE O PADRE NÃO TEM CONDIÇÕES DE DAR AULAS SOBRE DEMOCRACIA A NINGUÉM!
Que Nobel da paz esse presidente ditador merece, uma pessoa que pensa que só ele tem ideias e sabedoria para desconstruir os frutos da nossa autoctonia aborígene! Que premio Nobel mereceria um presidente corrupto, nepotista, gatuno e mentiroso que só sabe destruir continuamente o tecido nacional da nossa angolanidade como povo africano? Que Nobel da paz merece uma pessoa que não reconhece e concede o direito a liberdade do povo de ir e vir a sua vontade e principalmente lhe concede a completa liberdade de expressão? Que premio Nobel merece o presidente da ditadura que não mantem uma salutar proximidade com o povo que explora e escraviza a mais trinta e quatro anos?

QUEM É O CÔNEGO APOLÔNIO GRACIANO PARA AFIRMAR QUE O PRESIDENTE TOLERA AS PESSOAS QUE O INSULTAM? NEM SOMOS NÓS OS CRÍTICOS DO REGIME DÉSPOTA DE DO SEU IDOLATRADO DITADOR QUE SOMOS DONOS DAS MINAS DE DIAMANTES NEM DOS POÇOS DE PETRÓLEO PERTENCENTE A TODOS OS ANGOLANOS!
O padre Apolônio sabe muito bem que em Angola ninguém abusa ou fala mal o seu candidato ao premio Nobel da paz JES, ele, o seu candidato é que insulta todos os dias o povo! Não somos nós que não estamos com o povo, não somos nós que nos desligamos umbilicalmente do povo faminto de alimentos e de liberdade! Padre Apolônio não são os nossos filhos os donos das minas de diamantes que mantêm exércitos privados nas províncias das Lunda norte e sul, nem somos nós os críticos do regime quem torpedeia e assassinam todos os dias os milhares de pessoas nativas naturais desses lugares param se apossarem da sua riqueza ancestral!

Senhor cônego malvado Apolônio, que fique bem claro que não somos nós os críticos pertencentes ao MPLA que somos os totalitaristas, é o seu candidato ao premio Nobel da paz quem tem estimulado o ódio e a ação militarista em angola para manter-se indefinidamente no poder? Que fique bem claro Conego Apolônio que não somos nós quem manipulou e praticou por três vezes seguidas a fraude eleitoral no nosso país, nem somos nós os opositores do regime no interior do MPLA quem se mancomunou com a Espanha e Portugal para diminuir o ímpeto da democracia em Angola!

O CÔNEGO APOLÔNIO PRECISA URGENTEMENTE DEIXAR DE CONFUNDIR A FICHA DE ELETRICIDADE COM FOCINHO DE PORCO...
Espero que o senhor cônego não continue a confundir novamente a tomada de eletricidade com o focinho de porco e pare de continuar a publicitar as suas constantes blasfêmias, nós angolanos definitivamente não somos mais os mesmos inocentes nem somos um povo bajulador parasita igual ao senhor padre Apolônio, nem somos um povo indecoroso nem mentiroso e adepto do servilismo bajulador Luís Nguinbi, reverendo e adulador vanguardista do deus JES!

Camarada Apolônio, nós angolanos crescemos e olha que crescemos bastante humanamente e grandemente em sabedoria, hoje nós sabemos o que desejamos para nós e o que queremos para Angola, sabemos como povo atento qual a direção que queremos seguir e pode acreditar que a direção certa que a maioria pretende seguir não é a direção desorientadora da paz podre, cheia de espinhos.

O povo deseja que se instale em Angola uma paz verdadeiramente democrática assentem princípios humanamente aceitáveis que enuncie uma nova era de desenvolvimento social próprias de um estado de direito, onde haja de facto o respeito pelos direitos humanos, em que nenhum cidadão angolano seja perseguido, preso, torturado e/ou assassinado por motivos políticos! Essa situação acontece frequentemente na sociedade angolana, o humano deseja e quer uma paz social verdadeira e não apenas a ausência de tiros.

As autoridades constituídas no país continuam a massacrar com ferocidade extrema o povo pacifico. Existe de facto uma guerra assassina silenciosa que continua a fazer frustrar as expectativas da realização do sonho de liberdade e paz do povo com as continuas pressões exercidas pelas autoridades castrenses do regime com as obstrutivas praticadas regularmente contra o povo por motivos fúteis por apenas discordarem do pensamento do pensamento politico desorientador do ditador. Só que nós crescemos espiritualmente e em inteligência para não aceitarmos ser tratados como cabritos.

PADRE APOLÔNIO NÃO POSSUI BACKGROUND PARA ANULAR COM EFICIÊNCIA CONHECIMENTO ACERCA DE DIREITOS E SOBRE DEMOCRACIA QUE INFELIZMENTE ANGOLA NUNCA EXPERIMENTOU. O SENHOR CONÊGO NÃO VAI CONSEGUIR ARRASTAR-NOS TODOS A IDOLATRAR O SEU SANTO CRIOULO SÃO JES!
Angola não pode continuar a ser apenas de algumas pessoas privilegiadas que se banqueteiam faustosamente com as riquezas, Angola não pode continuar aprisionada no emaranhado de mãos estranhas nem pode mais persistir continuamente atolada aos lamaçais da corrupção nem enrolada nas muitas águas turvas e turbulentas da vergonhosa dilapidação do erário público nacional, e muito menos pode o ditador mergulhar a nossa terra na profundeza do encapelado mar da discórdia e da vergonhosa guerra civil como pretende fazê-lo para perpetuar-se no poder. Pessoalmente entendo que o padre Apolônio tem o direito de bajular o ditador, igualmente penso que o padre Apolônio terá que urgentemente aprender a conviver respeitosamente com posicionamentos políticos divergentes do pensamento politico alienado do seu mentor JES!

Caro sacerdote, não seja dono do pensamento alheio, não queira impor-nos os seus negros pensamentos animalescos, faça uma gentileza para si mesmo e deixe de azucrinar quem esta do outro lado da barricada, não seja mais papista que o papa, pois assim pode correr o risco de ser riscado do livro de pagamentos salariais do país do vaticano. Seja razoável e mais compassivo, o senhor não está em condições de dar aulas de legalidade democrática a ninguém e muito menos possui o background suficiente para passar valores éticos nem para falar de guerra, paz e liberdade, nem possui credibilidade alguma para arrastar-nos a todos a idolatrar o famigerado ditador JES.

A nossa igreja não é a de JES nem a tão pouco veneramos JES nem a momom, nós somos cristãos e não religiosos aduladores que violam a lei de Deus adorando santos humanos não arregimentados pela palavra de Deus. Aprendi na guerra militar onde o senhor padre não esteve nem participou, que antes de assanhadamente pretendamos jantar o nosso inimigo temos que ficar atentos e preparados para não sermos o almoço do nosso eventual inimigo! Chega o quer mais padre Apolônio e reverendo Nguimbi?

Revisão constitucional ou referendo - William Tonet


Luanda - A inércia e demissão do papel da Assembleia Nacional, face a subjugação total e completa da bancada maioritária ao titular do poder executivo, leva-nos a questionar se deve haver uma urgente revisão constitucional ou um referendo, para não se aproximar o actual modelo a Assembleia do Povo. Relacionada coma pretendida revisão constitucional

Fonte: Folha8
Club-k.net

como diz Mário Saraiva, no qual tem-selevantado a questão da necessidade duma séria revisão constitucional, para extirpar a incoerência dos articulados da Constituição de 2010, não deixando de ser interessante conhecero que pensam ou dizem desta forma de revisão ou consulta os políticos “deste país” chamadodemocrático, mas que é mais de direito.
Lêem-se e ouvem-se as mais espantosas edisparatadas opiniões, emitidas com umapresunção só possível de exteriorizar na escola da mediocridade, por vezes bem ridícula, que, no geral, domina determinados bajuladores/políticos e órgãos de comunicação social do Estado, cada vez mais partidarizados.Ainda recentemente, num debate televisivo,nestes que a programação nos impinge, um dos intervenientes, que os organizadores indubitavelmente consideraram idóneo, pronunciava-se contra a revisão preconizava por muitos legisladores e ou referendo,argumentando que a Constituição não pode estarsujeita, a cada passo, a alterações; que as leis fundamentais devem ser estáveis e perdem aimportância e a eficácia se forem susceptíveis derevisões frequentes, ao sabor das volúveisemoções políticas das massas eleitorais. Mas esqueceu-se o político de quando uma Assembleia Nacional, pese o pendor maioritário de um partido, deixa de cumprir o seu papel principal: fiscalização dos actos do Executivo, perde legitimidade de representar o cidadão eleitor, que lhe confiou o mandato.
Emoções, poderíamos nós acrescentar, tão fáceisde aceitar e de esquecer no ambientedemagógico que as lutas partidárias provocam eexaltam. Apesar de tudo, é ainda de surpreendera razão invocada. Não que a razão não sejapertinente, porque o é, mas por vir de ondevinha, por ser apresentada por um confessadoanti-democrata.
Na verdade, em democracia autêntica, nada, quese saiba, pode sobrepor-se a vontade do povo, precisamente porque a obediência permanente aesta vontade é a lei suprema do regime democrático. Qualquer valor, qualquer princípioque contrarie ou limite a vontade popular, contraria, ipso facto a autenticidade dademocracia. E a nossa democracia tem sido permanentemente violada e violentada, pela bancada maioritária.
O ponto é claro e indiscutível e não há como fugir-lhe. Desde que se aceite a democracianesta forma em uso o que melhor se poderiachamar era de “democratismo” pois temos de forçosamente de reconhecer haver medo emaceitar o referendo, pois este nos dá, em cadamomento, e isto é importantíssimo, a expressãodirecta e actualizada da opinião pública.
Por esta razão e continuo a citar Mário Saraiva, a vontade popular pode, naturalmente, modificar-se e há que reconhecer que, em dado momento, a voz do Parlamento pode não se lhe ajustar,como também há que admitir que os deputados,no seu conjunto, não interpretem ou nãoexprimam com rigor a opinião pública.
A autenticidade democrática depende da fidelidade, a par e passo, aos desejos expressos do povo, sem olhar a considerações de outra ordem. Eis aqui o lugar de dotar o referendo, com outra visão normativa.
Confessar a democracia obriga a aceitar todas as suas implicações possíveis, ou, melhordizendo, todas as suas exigências.
O académico, porque era de um académico quese tratava, tinha razão no que dizia: simplesmente, não lhe assistia autoridade paradizê-lo na sua posição de democrata. Falandocomo falava, estava a incorrer em completa incoerência; estava a negar-se a si próprio. As suas palavras não eram as de um democráta, como de início se autointitulou, mas de umantidemocrático, que porventura se desconhecia.
Fora de toda e qualquer contestação, o referendo exprime, de maneira directa eactualizada, a vontade popular. Assume, por conseguinte o grau mais genuíno, mais puro emais exacto da opiniao eleitoral. Por estemotivo, deveria ser intocável para os verdadeirosdemocratas.
É óbvio que esta forma de sufrágio é passível de crítica, mas isso é, como se diria, uma outraordem de ideias.
*Continua/ com Mário Saraiva

Justino Pinto de Andrade "Os grandes impérios de Angola foram construídos à custa do Estado"



É legítimo desconfiar da origem das grandes fortunas angolanas, afirma, em entrevista ao Expresso, Justino Pinto de Andrade, professor universitário, comentador político e presidente do Bloco Democrático, um pequeno partido sem expressão parlamentar em Angola.


Aos 66 anos, Justino Pinto de Andrade, diretor da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica de Angola, comentador político e presidente do Bloco Democrático, um partido sem expressão parlamentar, assume-se do outro lado da barricada na luta pela democratização de Angola.
Não é o seu primeiro combate. Sobrinho de Mário Pinto de Andrade, presidente e fundador do MPLA-Movimento Popular de Libertação de Angola, participou ativamente ao lado do seu tio e de seu irmão Vicente na luta pela independência, acabando por ser preso em 1969 e enviado para o Tarrafal, Cabo Verde, de onde só viria a sair à data de libertação do campo, em 1 de maio de 1974. Estudante de Medicina por esses dias, a detenção fê-lo mudar de rumo.
"Os anos que passei detido em Cabo Verde permitiram-me perceber que o meu papel não era dentro de um hospital a fazer banco, operações e a dar consultas. Percebi que tinha muito mais valor e que me sentiria mais realizado numa intervenção mais abrangente. O quadro que se apresentava, e, sobretudo, o distanciamento com que eu passei a ver a sociedade a partir de Cabo Verde apelava a uma formação que me permitisse ter uma maior intervenção pública sem estar sujeito aos laços pessoais que a Medicina cria".
Depois da libertação forma-se em Economia, em Luanda, e haveria de voltar aos bancos da universidade da capital angolana para frequentar durante quatro anos o curso de Direito, "só mesmo por curiosidade. Queria saber aquilo que os juristas sabiam", contou ao Expresso.
Depois da independência, declarada em 11 de novembro de 1975, voltaria a ser detido, acabando por romper definitivamente com o MPLA.
"Na minha família temos uma cultura de liberdade muito grande e procuramos não confundir as relações familiares com a política. Fomos educados a respeitarmo-nos uns aos outros", diz, para logo acrescentar: "O meu irmão Vicente esteve sempre comigo em todos os combates políticos desde a independência. E agora bati com a porta, e com estrondo, e o meu irmão acha que deve continuar lá. Prefiro não fazer de conta. Prefiro mesmo estar deste lado da barricada. Acho muito mais saudável o indivíduo quando rompe, romper mesmo. E eu rompi."
De passagem por Portugal para dar uma conferência na Universidade do Porto, analisa em entrevista ao Expresso o estado da democracia angolana e da liberdade de expressão bem como as relações económicas e políticas entre os dois países, seis meses passados sobre a última crise, em outubro do ano passado.
Portugal está a ser "desleal" com Angola quando investiga judicialmente altas figuras do Estado angolano, tal como escreveu em novembro do ano passado o "Jornal de Angola"?
Não. As investigações têm a ver com a Justiça, não são questões que tenham a ver com os partidos políticos. A Justiça é feita para os cidadãos comuns e também para os políticos. Se os políticos são suspeitos de ter cometido alguma infração, penso que a Justiça não se deve intimidar porque caso contrário deixa de ser Justiça para todos e passa a ser só para alguns. Neste caso concreto, importa ver se há razões bastantes que justifiquem essa investigação e isso compete às próprias autoridades judiciais e não aos políticos. Se há uma interferência política que os coloque acima da Justiça é o descrédito para própria Justiça e para o país. Quando a Justiça portuguesa investiga alguém, em princípio é porque há suspeitas do cometimento de algum ilícito, mas por vezes, alguns políticos supõe de que a Justiça é apenas para os cidadãos e não para eles próprios. Daí que, quando são objeto de alguma investigação reagem ignorando que são os próprios políticos que elaboram as leis, supostamente com caráter universal e abstrato.
Quem é que mais perdeu com o adensar das relações entre os dois países?
Penso que não houve até agora desenvolvimentos negativos para ambos os lados. As relações entre Angola e Portugal continuam. Os portugueses que estão em Angola continuam a trabalhar, até porque são necessários. Mas houve, de facto, o temor de represálias contra eventuais interesses portugueses, só que é preciso não esquecer que, se há portugueses em Angola, também há angolanos em Portugal. Hoje, a situação está um pouco invertida e há maior necessidade por parte dos portugueses de emigrarem para Angola para trabalhar, mas há alguns anos era o contrário. Criou-se aquela imagem de que estávamos em risco de desencadear um conflito social, mas não me parece que tenha acontecido.
Em entrevista à SIC, em junho do ano passado, o Presidente José Eduardo dos Santos disse que as relações com Portugal não estavam isentas de "problemas", mas que decorriam num "quadro de amizade e grande compreensão" apesar de haver "reminiscências do passado bastante localizadas". A quem é que, em sua opinião, se refere o Presidente do seu país?
Não sei. Talvez a ele próprio. Esqueceu-se que as relações entre Angola e Portugal envolvem pessoas. Tanto quanto sei, há também personalidades angolanas que têm aplicações financeiras em Portugal. Na altura em que essas personalidades fazem as suas aplicações financeiras em Portugal não estão a estabelecer uma relação entre colonizado e colonizador, mas sim uma relação entre quem tem poupanças e necessidade de aplicá-las e quem tem necessidade de absorver essas poupanças. Nessa altura, as pessoas esquecem-se da relação colonizado-colonizador, mas quando se gera algum conflito que ponha em causa a imagem dos decisores então vão ao fundo do baú buscar uma velha relação que existiu, mas que temos de fazer todo o possível por relativizá-la. Não nos vamos manter prisioneiros para todo o sempre de uma relação que já pertence ao passado. Hoje, os portugueses quando vão para Angola não vão como colonizadores. Penso também que os interesses angolanos quando se instalam aqui em Portugal não o fazem como interesses colonizados, mas como interesses de cidadãos que têm recursos que procuram rentabilizá-los fora do país.
O que poderá acontecer na relação entre Portugal e Angola se o Ministério Público português decidisse acusar os tais altos dirigentes angolanos?
Não sei de que são acusadas essas personalidades, penso que têm a  ver com eventuais ilícitos económicos. Mas se alguém cometeu algum ilícito deve ser responsabilizado por isso e não estar a aprisionar um país inteiro a eventuais ilícitos praticados por algumas personalidades angolanas. Se fosse um cidadão comum angolano a cometer um ilícito desses, naturalmente que as autoridades portugueses teriam toda a liberdade para investigar e acusar, mas tratando-se de cidadãos com responsabilidades políticas elevadas não parece que seja justo que sejam isentados das suas próprias responsabilidades. Os nossos políticos é que têm de cuidar de proteger a sua imagem não cometendo ilícitos fora do país, porque se o fazer têm de se sujeitar à justiça desses países.

A "mão invisível" do regime

No seu blogue denunciou recentemente a estratégia seguida por Luanda para impedir uma manifestação de vendedores ambulantes e o desaparecimento de dois ativistas. O aparelho de Estado angolano é politicamente intolerante e não respeita a diferença?
É uma herança da história de Angola. Quem manda hoje em Angola ou é fisicamente alguém que esteve vinculado àquele poder totalitário do passado, que não tinha nenhuma máscara de pluralidade, mas atualmente tem uma cobertura externa de pluralidade mas culturalmente são a mesma coisa. Se olharmos para as práticas dos principais atores do poder atual vemos que não têm muita diferença em relação ao que foi o poder de partido único. O que prevalece no subconsciente dessas pessoas é a cultura da intolerância. Estas pessoas não são diferentes, procuram apenas adaptar-se o mínimo possível às novas circunstância. Fizeram uma aparente abertura, mas do ponto de vista da sua formação política e cultural são precisamente a mesma coisa. De tal maneira que reagem como reagiam no passado.
Em julho de 2012 - a um mês das eleições gerais de agosto - a rádio Ecclesia, emissora católica de Angola, onde tinha uma crónica semanal e fazia análise de imprensa, rescindiu o contrato que tinha com o senhor há mais de dez anos por alegada falta de imparcialidade. É presidente do Bloco Democrático mas o seu partido até estava legalmente impedido de ir a votos. Na altura disse que já estava à espera e que foi afastado por uma "mão invisível". A quem pertence essa "mão invisível"?
Acho que ainda continua invisível [sorri com ironia] porque ninguém assumiu a responsabilidade desse ato. É evidente que essa mão invisível tem de ter uma forte relação com o poder. Infelizmente, ainda ninguém teve a coragem de assumir a responsabilidade daquele ato que foi um ato reprovado por todos aqueles que sabiam da forma imparcial como fazia os meus comentários. Além disso, este argumento da pertença a um partido político não faz sentido. Aqui em Portugal, os responsáveis políticos e económicos fazem análise política, comentários, escrevem artigos, são grandes atores mediáticos e isso faz parte da vida democrática. Infelizmente, em Angola, a ideia que prevalece não é essa. Os atores que têm de estar no palco são os atores do regime. Esses têm todo o espaço. Se houver um qualquer ato que não valha coisa alguma são capazes de perder na televisão vinte minutos com imagens de um ator terciário do regime e temos de engolir a figura durante esse tempo e no final perguntarmo-nos o que estivemos a ver, para concluir que não era nada. Infelizmente, os responsáveis da rádio sujeitaram-se àquele ditame e eu democraticamente percebi que tinha mesmo de ser assim. Aliás, eu já estava à espera tal como disse na altura. Estava apenas a fazer o jogo, a ver quando é que ia acontecer e com que descaramentos iriam apresentar os seus argumentos.
A Igreja Católica está ao lado do regime?
Não está muito longe. Notam-se diversas tendências. A igreja também é constituída por homens. Acredito que no seio da própria igreja há quem concorde com esses atos e quem esteja em desacordo.

"Fazer oposição tem custos elevadíssimos"

Há algum tempo afirmou que a democracia tem os chamados custos da negociação, mas que as ditaduras ainda têm custos mais elevados porque "até um louco pode governar". Em Angola evitam-se os custos da democracia?
As pessoas só podem perceber os custos da democracia quando querem, efetivamente, fazer democracia. Em democracia há momentos em que se fazem algumas cedências em troca de alguns ganhos eventuais. Não me parece que seja essa a posição que, de uma forma geral,  prevalece em Angola. O partido do Governo tem a propensão de ganhar tudo e deixar apenas um espaço imaginário para as outras forças. É por isso, quando se trata de Angola, não faz sentido falar em democracia mas em projeto democrático.
Quando é que esse projeto estará concluído?
Vai ser necessário muito trabalho e muita coragem de todos os atores, não só aqueles que estão no poder, mas também aqueles que estão na oposição. Se todos fizermos os nosso trabalho poderemos reduzir o espaço, mas se não nos empenharmos devidamente claro que esse espaço será muito dilatado e com muitos sacrifícios também.
Até onde é que podem ir esses sacrifícios?
Há sacrifícios que, por vezes, até custam a saúde e a vida. Temos casos em que as pessoas perderam a vida por causa da sua vontade de viver em liberdade. Infelizmente ainda acontece isto. Outros perdem a saúde, são violentados, são agredidos. Enquanto não houver uma vitória clara da democracia teremos sempre este tipo de custos.
O senhor que foi preso pelos regimes totalitários de Portugal, antes do 25 de Abril, e de Angola, depois da Independência, até onde é que está disponível a ir para ver esse projeto democrático concluído?
Enquanto tiver força vou dar o meu contributo. Não faço isto para ter benefícios pessoais, mas para cumprir os meus desígnios, que não passaram apenas pela Independência de Angola, caso contrário já tinha parado há muito tempo. O meu desígnio manter-se-á até que eu tenha a perceção de uma sociedade mais aberta, mais livre, mais democrática, mas também tenho a certeza absoluta de que tudo isso não será feito numa única geração e com um conjunto restrito de pessoas.
Disse recentemente que os angolanos "cresceram numa cultura em que o silêncio é a alma do negócio" e que é "melhor silenciar para não ser punido". Quem fala em Angola leva?
Se disser aquilo que não interessa tem grande probabilidade de levar e leva de várias maneiras. Não é apenas a agressão física. Os angolanos [que falam] são impedidos de ter acesso a bens e benefícios que de outra forma teriam. Isso é inquestionável. Não vale a pena pensarmos que fazer oposição não tem custos. Tem custos elevadíssimos. Por isso mesmo, muitas pessoas passam uma imagem de militância no regime para poder ficar salvaguardado de eventuais danos, pelo facto de não concordar com o Governo.
Angola está a precisar de um 25 de Abril?
O 25 de Abril foi um golpe militar que desencadeou numa revolução. No contexto português justificava-se, até porque os militares que protagonizaram esse levantamento tinham um programa democrático para Portugal. Felizmente, esse programa democrático realizou-se. Nada garante que um levantamento militar em Angola aponte para o desenvolvimento democrático. Além disso, a situação de pobreza e de miséria das populações é de tal maneira grande que uma convulsão de caráter militar pode conduzir-nos a uma perda de controlo sobre a sociedade e degenerar em morticínios. Não nos podemos esquecer que vivemos estes anos todos em guerra. Há muita gente militarizada e traumas que podem desencadear vinganças. Os golpes militares não são uma solução porque só podem redundar em benefícios quando os atores têm a perceção dos resultados dos seus atos e, sobretudo, quando têm projetos para acelerar as transformações sociais. Um golpe militar para substituir o atual ditador por um outro ditador, penso que é perigoso. Este tipo de golpes desgasta sempre as elites. As grandes vítimas dos golpes militares, por vezes, nem é o povo, são as elites, porque são elas os alvos mais fáceis.

"Associação mafiosa"

Em Portugal há um sentimento de desconfiança em relação à origem do dinheiro angolano. É legítimo esse sentimento de desconfiança em relação ao investimento angolano em Portugal?
Penso que sim. Há toda a legitimidade em pensar-se que esse dinheiro não foi ganho com o suor do rosto. Que nós saibamos, essas pessoas não eram ricas e muito menos empreendedoras. São fortunas que foram feitas a partir do tráfico de influências ou da própria subtração de recursos públicos. Quando a origem do dinheiro é essa é evidente que quem observa tem toda a legitimidade para desconfiar. Não me parece que a história do nosso país tenha sido capaz de gerar tamanhas riquezas pessoais e familiares como aquelas que hoje se veem. De um modo geral são fortunas resultantes do tráfico de influências e da subtração de recursos públicos. Não tenhamos dúvidas sobre isso. É evidente que poderá hoje haver um ou outro indivíduo que tem recursos fruto de algum empreendedorismo, mas os grandes impérios económico-financeiros de Angola foram construídos à custa do poder de Estado.

Segundo a Agência Nacional de Investimento Privado de Angola em 2013, Portugal  investiu mais de 78,7 milhões de dólares em Angola, metade dos quais na indústria transformadora (47%), com especial destaque para o investimento da Sumol+Compal na província de Kwuanza Norte (29 milhões de dólares). O tipo de investimento português em Angola é aquele que mais interessa aos angolanos?
O investidor, quando investe, em princípio tem o cuidado de perceber se o seu investimento será rentabilizado. Se aquela é a melhor forma de aplicar a sua poupança. Esta é a função do investidor, que não tem de pensar no bem-estar do consumidor. Quem tem a responsabilidade de pensar no bem-estar do recetor do investimento é o Governo angolano. Ele é que deve separar o trigo do joio. Ver se um dado investimento é, ou não, prioritário, se está bem localizado.
Em 2013, a China foi o quarto maior investidor estrangeiro em Angola, com 76,4 milhões de dólares. O que é que, em seu entender, procuram os chineses em Angola?
Os chineses procuram o mesmo que qualquer investidor: rentabilizar os seus investimentos. Uma coisa é o investimento chinês, outra é o financiamento chinês para investimentos em Angola. Por vezes, confunde-se o financiamento com o investimento. Penso que quando o Estado angolano vai à China buscar financiamentos é para a realização de investimentos em Angola que podem ser feitos ou por empresas chinesas ou por empresas locais ou até por parcerias entre empresários locais e empresários chineses. As pessoas de uma forma geral confundem o financiamento com o investimento. O valor que referiu, até pode ser que seja mesmo investimento chinês. Hoje olhamos para as empresas chinesas em Angola e pensamos que são empresas públicas chinesas que vieram realizar obras em Angola a pedido das entidades angolanas. Mas já me apercebi que muitos daqueles investimentos são mesmo privados chineses. Não me repugna nada que o investimento seja chinês, americano ou  britânico. O investimento que nos interessa é o bom investimento. Aquele que é gerador de rendimento e de riqueza para Angola mas não aquele investimento que, aparentemente, vai gerar produtos e serviços para Angola mas que na realidade se vai completar como uma forma de associação mafiosa com interesses locais. Parece-me que em alguns casos haverá esse tipo de associação mafiosa entre interesses chineses ou outros e interesses angolanos. De tal maneira que, os chamados "investidores armados" dão cobertura aos interesses estrangeiros protegendo-os graças ao poder de Estado que também possuem. A maior partes destes ditos empresários angolanos são também agentes públicos, são agentes políticos, são responsáveis do Estado.
Em outubro do ano passado, na sequência da crise diplomática entre Lisboa e Luanda o "Jornal de Angola" publicou uma série de editoriais. Num deles, a 16 de outubro, afirma-se que Portugal é um "país em crise profunda e, por isso, muito sensível às relações com o mundo exterior, de onde vêm as ajudas". Como é que a crise portuguesa é vista de Luanda?
Esse tipo de leitura é de colonizado frustrado, vingativo que só pensa: Agora chegou a nossa vez. Não é disso que necessitamos. Temos de olha para a antiga potência colonial apenas como antiga potência colonial. E como um parceiro atual. Mais nada. É evidente que a relação do passado deixou os seus vestígios, a história não se apaga de um momento para o outro, mas certo tipo de editoriais só refletem a frustração que está na cabeça de algumas pessoas que pensam que são independentes mas que não são porque mantêm o cordão umbilical ao passado colonial. Isso é um reflexo do colonialismo mental que existe na cabeça de quem escreve esse tipo de editoriais. Hoje, do meu ponto de vista, Portugal é tão parceiro como os Estados Unidos, o Brasil, a Inglaterra ou a França. As pessoas estão-se a esquecer que a Inglaterra e a França também foram potências coloniais de outros colonizados. Mas relacionamo-nos com eles como se nunca tivesse havido colonialismo e quando se trata da relação com Portugal vamos ao fundo do baú buscar o velho chavão colonial.